Via Parque terá nova licitação


As obras da futura Via Parque no trecho de 950 metros entre as pontes da Torre e da Capunga, nas margens do Rio Capibaribe, só devem ser retomadas em novembro, após uma nova licitação. A previsão é da Autarquia de Urbanização do Recife (URB). Iniciada em junho de 2017 e com prazo de conclusão de 18 meses, a obra foi paralisada pelo Consórcio de Sociedade Quality/Trópico e Santa Cruz, três meses após ter sido iniciada.

O consórcio alegou que a profundidade das estacas ultrapassou os 23 metros previstos no contrato. Desde então, a URB está refazendo os estudos para a área do trecho da beira- rio. Foram feitas 27 sondagens no solo e os técnicos verificaram a necessidade de mudança no projeto em três pontos, entre eles a profundidade das estacas, que será em média de 25 metros.

Também haverá alteração na inclinação do píer flutuante e uma possível substituição das passarelas de pedestre que ficariam sob as duas pontes para uma passagem em nível (sobre a ponte e com sinal de pedestre).

A sugestão da mudança no desenho da passarela partiu da Associação dos Moradores das Graças e foi bem recebida pela URB. “É uma solução mais barata e com um menor custo de manutenção. Mas ainda está em estudo”, apontou a diretora de projeto da URB, Rúbia Campelo. As mudanças não significam apenas atraso na obra, mas também alteração no valor do contrato. O projeto anterior estava orçado em R$ 26,4 milhões e pode ultrapassar os R$ 30 milhões com as mudanças previstas.

Segundo Rúbia Campelo, o novo edital de licitação poderá estar disponível nos próximos 65 dias, mas tudo pode mudar dependendo do entendimento do Tribunal de Contas do Estado (TCE). “Como se trata de uma nova licitação em cima de um mesmo projeto, o TCE pode pedir vistas e o cronograma, nesse caso, seria ampliado, mas numa previsão otimista a nossa expectativa é que se essa obra seja retomada até novembro”, afirmou Campelo.

A imprecisão dos estudos do projeto anterior se deu, segundo a diretora de projetos da URB, devido ao aproveitamento dos dados feitos para o projeto original que previa uma via expressa com quatro faixas. “Por esse projeto, a via seria toda construída sobre o rio e no projeto da Via Parque é sobre o piso. Os estudos tiveram que ser refeitos, inclusive uma nova batimetria e topologia do terreno”, explicou a diretora.

O trecho de 950 metros será composto de uma pista de rolamento de 4,5 metros, em sentido único Capunga/Torre, a ser compartilhada entre veículos motorizados e bicicletas. Já o espaço segregado será destinado aos pedestres. Entre a Rua Dom Sebastião Leme e a Avenida Manuel de Almeida não haverá acesso a carros e os motoristas terão que fazer o contorno pela Rua das Graças para se chegar à Rua Amélia. “Ao contrário do que ocorre no Espinheiro que se transformou em um bairro de passagem, a Via Parque será integrada ao bairro, ela entra e sai no bairro. Quem for acessar a via como passagem vai pensar duas vezes”, explicou Rúbia.

A urbanização da Via Parque corresponde, na prática, à segunda etapa do projeto do Parque Capibaribe. O primeiro trecho urbanizado é o do Jardim do Baobá. “Numa outra etapa faremos a ligação desse segundo trecho com a área já urbanizada do Jardim do Baobá e um outro trecho ligará a via ao Derby”, ressaltou Rúbia Campelo.

Os recursos para o projeto estão assegurados, mas a terceira e quarta etapas da urbanização das margens do rio até chegar ao Derby ainda dependem de financiamento. “Nós conseguimos os recursos no PAC Pavimentação para o projeto da via expressa no valor de R$ 54 milhões, mas na mudança de proposta, ela passou a ser Via Parque e manteve uma via para o carro para se enquadrar no financiamento”, explicou.

Nos outros dois trechos não há previsão de faixa para veículos e, por isso, os recursos precisam ser captados em outras fontes. “Estamos ainda em fase de captação para os outros dois trechos”, afirmou a diretora. O projeto do Parque Capibaribe integra 42 bairros em 30km de extensão nas duas margens.


11/07/2018

Fonte: Diário de Pernanbuco

 

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