Para os investidores interessados no leilão da hidrelétrica de Belo Monte, os prazos estabelecidos pelo governo são inviáveis. De acordo com as metas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a usina fica pronta em abril de 2014.
Os interessados na obra acham que só conseguem gerar energia depois disso: as projeções variam de dezembro de 2014 a março de 2016. Inicialmente marcado para 21 de dezembro, o leilão foi adiado para janeiro por falta de licença ambiental prévia para as obras, segundo o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann
Belo Monte, no rio Xingu (PA), é a principal licitação da área de infraestrutura para este ano. O governo estima que sejam necessários R$ 16 bilhões para construir a usina, com capacidade de gerar 11.333 MW.
A julgar pelas contribuições feitas no processo de consulta pública do edital, os interessados são os mesmos grupos de sempre: Odebrecht, Furnas, Suez, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Cemig. Também fizeram contribuições fundos de pensão (Funcef) e de investimento (FI-FGTS) e grandes empresas, como a Vale.
A estratégia do governo para o leilão deverá ser parecida com o que já foi feito nas usinas do rio Madeira. As estatais da Eletrobrás vão se associar a grupos privados e formar consórcios. Vence quem se propuser a cobrar menos pela energia, respeitado um preço-teto.
Segundo a Folha apurou, Belo Monte é um empreendimento considerado menos rentável que a hidrelétrica de Santo Antônio, no Madeira. Por essa razão, o mercado espera um preço-teto de, no mínimo, R$ 140 por MWh (megawatt-hora), quase duas vezes maior do que o resultado do leilão da hidrelétrica de Jirau (rio Madeira).
Zimmermann disse que a expectativa é que a licença prévia ambiental seja liberada pelo Ibama ainda neste mês.
O posicionamento dos interessados em relação aos prazos foi feito por escrito à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) durante o processo de consulta pública do edital.
De acordo com o grupo Suez, vencedor da licitação da usina de Jirau, "é impraticável o início da geração comercial em 2014, para uma obra desse porte". Na avaliação da empresa, para que essa meta fosse possível, as obras teriam que começar no período seco de 2010, o que é considerado "inviável".
Na avaliação do grupo, mesmo o começo em 2011 só é possível com um cronograma "apertado". Suez propõe que o início da geração seja postergado para 2016.
Para a Camargo Corrêa, "em hipótese otimista o início das obras só poderá ocorrer em novembro de 2010". Dessa forma, haveria atraso de 11 meses no início da operação comercial. Isso exporia os investidores a ter que honrar o compromisso de geração, comprando energia no mercado de curto prazo.
Para a Andrade Gutierrez, o início do suprimento poderia acontecer em dezembro de 2014, mas a casa de força principal só estaria operacional em março de 2016. A Cemig manifestou opinião semelhante, informando que, na sua projeção, as obras só deverão ocorrer no período seco de 2011 e, portanto, a casa de força secundária estaria em operação em 2015, e a principal, em 2016.
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